Natal do Deus Conosco

Mais uma vez nos preparamos para comemorar o Natal. A cada ano a sensação que se tem, através das propagandas vinculadas na mídia, é que está se perdendo mais e mais o verdadeiro sentido do Natal.

Papai Noel tornou-se o símbolo do Natal, e a festa do nascimento do Deus Menino, que nasceu numa simples manjedoura, pobre entre os pobres, na gruta de Belém, tornou-se um pretexto para um consumismo desenfreado.

Até mesmo entre nós católicos, muitos sabem que celebram o nascimento de Jesus, mas não se atém à grandiosidade que envolve este fato.

Embora não se tenha certeza do dia exato do nascimento de Jesus, comemoramos o Natal no dia 25 de dezembro, como a grande festa do aniversário de Jesus. A festa do Natal é de fundamental importância para o cristianismo, pois se celebra a encarnação de Deus feito homem (Jo 1, 14).

Jesus, o Emanuel, Deus Conosco que entra na história sendo frágil criança, É Deus que esvaziando-se de si mesmo, vem a nós, assumindo nossa condição humana em tudo, menos no pecado, vem para trazer a luz, a paz, a salvação. Juntamente com a Páscoa, o Natal é a maior festa da religião católica.

Nesse tempo é comum passarmos nas ruas e vermos os moradores pintando, arrumando, decorando suas casas para o Natal, isso é válido, mas não podemos nos esquecer que é em nosso coração que Jesus quer nascer e renascer a cada ano.  Por isso a Igreja, Mãe e Mestra, além de orientar através de um dos Mandamentos da Igreja (que procuremos o Sacramento da Confissão, como preparação para o Natal), oferece um tempo propício para que nos preparemos para viver o Natal em toda sua plenitude. Este tempo chama-se Advento – chegada.

Os dois primeiros domingos do Advento, refletem sobre a vinda futura de Jesus para julgar os vivos e os mortos.  Os outros dois domingos são uma preparação imediata para o memorial do que aconteceu na gruta de Belém. O tempo de advento, portanto, tem o sentido de preparar a humanidade para um grande fato: Deus visitou o seu povo.

Este é o significado, por excelência do Natal cristão. Porém ao longo da história, devido à onda excessiva de consumismo, o sentido dessa festa foi se perdendo, o que está levando muitas dioceses a lançarem campanhas, como por exemplo: Natal com Jesus é Natal, reforçando a figura do Menino Jesus como o centro do Natal, em detrimento do Papai Noel, e de todo o  sentido comercial desta festa.

Nesse tempo de advento já começam a aparecer os símbolos do Natal, como a Guirlanda de Natal, ou Coroa do Advento, feita de ramas verdes,  cor da esperança e da vida que tem a forma circular, significando: não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que não tem princípio e nem fim, e da sua aliança eterna com a humanidade, somado com quatro velas que simbolizam as grandes etapas da salvação em Cristo.

– No primeiro domingo deste tempo litúrgico, acende-se a primeira vela que simboliza o perdão a Adão e Eva.

– No segundo domingo, a segunda vela acesa representa a fé dos patriarcas.

– A terceira vela simboliza a alegria que experimentou o rei Davi.

– A quarta e última vela, simboliza o ensinamento dos profetas, que anunciaram um reino de paz e de justiça.

Símbolos natalinos

Nós seres humanos usamos muito os cinco sentidos. Podem notar que existem determinadas frutas que, ao sentirmos o aroma, nos faz lembrar imediatamente do Natal, tem ‘cheiro de Natal’, algumas comidas tem ‘gosto de Natal’, assim como as luzes, os pisca-piscas, as canções natalinas…Basta olhar, basta ouvir que o clima de Natal nos invade. Por isso, os símbolos natalinos têm um significado e devem levar as crianças, adolescentes, enfim toda sociedade, ao verdadeiro sentido do Natal, Jesus Cristo.  Creio também que necessitamos de um resgate, numa prescritiva cristã, desses símbolos, visto que vários outros foram incorporados como símbolos de Natal, mas não são símbolos cristãos, como duendes, gnomos, etc.

Os símbolos de Natal cristão são:

Árvore de Natal: O pinheirinho de Natal representa a vida. Diz a lenda, que o pinheiro foi escolhido, devido à sua forma triangular, para representar a Santíssima Trindade. O pinheiro é a única árvore que não perde as suas folhas, seja qual for a época do ano.

Presépio: O presépio é a reprodução do cenário onde Cristo nasceu, com a manjedoura, Jesus, Maria e José, os animais, pastores e os três reis magos. Seja ele pequeno ou grande, completo ou reduzido, o que não pode faltar em seu lar é a manjedoura com o Menino Jesus, é ele o aniversariante.

Estrela: A estrela de Belém que serviu de guia para os três reis magos até Belém, é também símbolo de Cristo – Luz do Mundo.

Anjo: Representa Gabriel, o anjo da Anunciação.

Os sinos de Natal: Seus toques simbolizam alegria e júbilo pelo nascimento do Deus Menino.

Papai Noel: Na sua concepção inicial a figura do Papai Noel foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. Era um homem de bom coração, que costumava ajudar as pessoas necessitadas. Seu gesto mais lembrado é a história de um pai muito pobre que via suas três filhas chegando à idade de casar e não tinha dinheiro para o dote. Na sociedade da época isso gerava muitos problemas e discriminação, então, perto do Natal, Nicolau foi a noite, com três saquinhos de ouro, abriu a janela do quarto da primeira filha e depositou um; fez o mesmo no quarto da segunda e, como a outra dormia na sala, jogou o saquinho de ouro pela chaminé. A imagem de São Nicolau, associada ao Natal aconteceu na Alemanha.  Mais tarde foi substituído por um personagem gorducho, de bochechas rosadas e barba branca, que anda num trenó puxado por renas chamado Papai Noel, que apresentado numa propaganda de Natal, caiu no gosto popular e logo ganhou força.  Com o passar do tempo, cada vez mais a imagem do Papai Noel foi vinculada ao Natal, a ponto de as novas gerações já não saberem mais o que festejam.

Presentes natalinos: Existem algumas versões sobre a origem do presente natalino, a mais antiga é uma tradição que tem raízes cristãs, inspirada na visita dos reis magos, que levaram oferendas ao Menino Jesus. Os magos Melchior, Gaspar e Baltasar lhe ofereceram ouro, incenso e mirra, e nós oferecemos presentes aos familiares e amigos como expressão de carinho. Por isso em alguns paises, como Itália e Espanha, a troca de presentes acontece no dia 6 de janeiro, dia em que a tradição aponta como a chegada dos reis magos, com seus presentes, para adorar ao Menino Jesus.

Os cartões e cantos natalinos: Apresentam mensagens sobre o sentido do Natal.

A ceia natalina: Conta a tradição que após a Missa do Galo, era servida uma refeição simples aos presentes. Essa refeição passou para as casas dos fiéis, e o cardápio tornou-se mais sofisticado, incorporando-se o peru à ceia e uma série de bolos e massas que são preparados somente para o Natal e são conhecidos por todo mundo. Mas o que realmente importa não é o que se come e sim a família reunida em torno da mesa. É a paz que reina, a oração que fazem juntos e o que não pode faltar: uma vela, por mais simples que seja, para representar a luz de Cristo, que brilhou para nós.

Celebração do Natal em comunidade

Se gostamos de celebrar a ceia com a família, outra ceia precede a esta e devemos celebrá-la em comunidade, na Santa Missa.

Na noite do dia 24 de dezembro celebramos uma missa especial onde a liturgia da Palavra narra os fatos que envolveram o nascimento de Jesus. Essa missa era realizada tradicionalmente à meia-noite. Com o passar do tempo a missa do Galo, por questões pastorais foi antecipada para uma hora mais adequada. Recebeu esse nome, porque o galo é a primeira ave a ver os raios do Sol, tanto que cantam de madrugada. Mas, nesse dia a humanidade é quem canta: Nasceu o Sol da Justiça, a Luz do Mundo. E nas missas do dia 25, celebramos o Verbo, Deus que se fez carne e habitou entre nós.

Por que celebrar o Natal?

Cada ano somos chamados por Deus a celebrar esse dia  significativo na história da salvação, porque Natal é renovação.

No tempo do Natal as pessoas se tornam mais solitárias, nesta época de Natal existe um clima. Porque a cada ano somos chamados a enxergar uma realidade: Natal é Natal porque Jesus nos dá esse presente. Parece óbvio, mas o mundo se torna mais solidário porque os homens recebem neste tempo uma graça de Deus.

No tempo de Natal, tudo é enfeitado, as pessoas ficam com o coração mais mole e não porque é Natal, isso é um presente de Deus. Esse tempo que vivemos e nos torna mais humanos é uma graça especial de Deus. Ele a cada ano nos concede este momento de humanização. Enquanto que a ressurreição é o momento da eternização do humano, o Natal é a humanização do eterno. E ao celebramos o eterno no humano nos tornamos melhores.

No Natal temos a possibilidade de celebrar o que há de mais bonito: o rosto mais lindo da face humana, Deus em nós.

A noite santa e o dia de Natal têm essa magia de nos fazer olhar para aquilo que há de mais digno em cada ser humano: o divino corporizado, transformado, materializado. Somos chamados a olhar o lado bom e a melhor parte que cada um de nós tem. Por isso o Natal é especial, é maravilhoso.

A magia vem do Natal, porque o lado de Deus presente em nós fica mais latente, o lado espiritual, o pedaço de Deus derramado em cada ser humano pulsa mais forte e no mesmo ritmo em nossos corações. Mesmo os cristalizados, endurecidos, mesmo aqueles que ficaram amargos, aqueles que ficaram profundamente marcados pela mundaniedade, explodem diante do eterno, diante da manifestação frente a Deus, que do alto dos céus abre as nuvens, passa e se faz um de nós. A noite de Natal permite bombear em todas as nossas veias, a eternidade que existe dentro de nós.

Por isso finalizo dizendo para deixar essa magia do Natal, essa energia do eterno em nós, fazer aflorar o sorriso mais largo, o olhar mais profundo e as palavras mais doces. Deixe aflorar o belo que há em você, o Deus materializado em você.

O céu e a terra na noite santa de Natal trocam presentes, quem ganha somos nós. Deixe, permita, alimente que Deus em você possa se manifestar.

Há coisas ruins, há mágoas? Supere-as. Um anjo apareceu aos pastores e anunciando o nascimento do Menino Jesus os encheu de luz, mas o que disse em primeiro lugar não foi glória ou paz, foi: “Não tenhais medo” (Lc 2, 10a), não temais, não tenhais pavor, não desiludais.

O mal que pode estar em nós é infinitamente menor do que o bem, porque Deus o eterno, materializou-se e nós somos um pedaço de Deus.

O Verbo se fez carne, o Verbo se fez um de nós. A palavra se fez carne e se fez luz. Vale a pena insistir, vale a pena esforçar-se, vale a pena deixar a luz nos guiar. Essa luz, esse Cristo que veio nos trazer um jeito diferente de olhar o mundo, tem que ser um referencial não só no Natal, mas sempre.

Viva em toda sua plenitude essa experiência do amor de Deus, porque Natal é amor.

Deus visitou seu povo, nos libertou e trouxe para nós o salvador.

Natal com Jesus é Natal!

Padre Reginaldo Manzotti é coordenador da Associação Evangelizar é Preciso – Obra considerada benfeitora nacional que objetiva a evangelização pelos meios de comunicação – e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR). Apresenta diariamente programas de rádio e TV que são retransmitidos e exibidos em parceria com milhares de emissoras no país e algumas no exterior. Site: www.padrereginaldomanzotti.org.br. Facebook: www.facebook.com/padrereginaldomanzotti. Twitter: @padremanzotti | Instagram: @padremanzotti

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