Preguiça Espiritual

Cada ano que iniciamos vem com a proposta de zerar tudo, de recomeçar, de superar as diferenças, e acima de tudo, perdoar, pois o perdão é essencial para a paz.

Para que a verdadeira paz aconteça ela deve começar em cada um de nós. Por isso, devemos pedir a Deus e clamar a Jesus, Príncipe da paz, para que Ele nos faça instrumentos, propagadores, semeadores da paz.

Este contexto nos leva a refletir que somos instrumentos da paz na medida em que buscamos a conversão. A paz é fruto de uma conversão. E conversão significa mudança, converter para um ponto, priorizar outro caminho, o da concórdia.

Todo mundo conhece o bicho preguiça. Ele tem preguiça até de viver. Igualmente nós estamos sofrendo de uma preguiça espiritual. Isso é um dos frutos do pecado original, e um dos males de hoje, pensar “está bom assim” e vamos levando do jeito que dá. Vamos cozinhando em banho-maria e empurrando a vida, nos adaptando, mesmo às coisas erradas e deixamos do jeito que está.

Não deveria ser assim, isso pode parar. Não devemos pensar, “mas sempre foi assim, eu sou assim”. Pensemos que pode ser diferente. Podemos não conseguir mudar o que somos, mas em Deus podemos mudar o que fazemos.

Não precisamos viver no pecado. Neste sentido São Paulo nos exorta dizendo: “Irmãos: Que o pecado não reine mais em vosso corpo mortal, levando-vos a obedecer às suas paixões. Não ofereçais mais vossos membros ao pecado como armas de iniquidade. Pelo contrário, oferecei-vos a Deus como pessoas vivas, isto é, como pessoas que passaram da morte à vida, e ponde vossos membros a serviço de Deus como armas de justiça.

De fato, o pecado não vos dominará, visto que não estais sob o regime da Lei, mas sob o regime da graça? De modo algum! Acaso não sabeis que, oferecendo-vos a alguém como escravos, sois realmente escravos daquele a quem obedeceis, seja escravo do pecado para a morte, seja escravo da obediência para a justiça? Graças a Deus que vós, depois de terdes sido escravos do pecado, passastes a obedecer, de coração, aos ensinamentos, aos quais fostes entregues. Libertados do pecado, vos tornastes escravos da justiça” (Rm 6,12-18).

Muitos pensam que Deus, um dia vai nos cobrar se nós não chegarmos a 100% em tudo. Talvez na vida inteira nós conseguiremos atingir 30% da nossa santidade; 40% da nossa felicidade, talvez 5% do nosso ser cristão, mas Deus olhará o esforço que fizemos. Deus olhará a nossa reta intenção. Por isso nossa preguiça espiritual nos atrapalha, ela nos faz ficar acomodados na fé.

Eu repito: Deus não nos avaliará se chegamos ou não a 100%, mas, no pouco que chegamos o esforço que fizemos.

Filhos queridos, deixemos Deus renovar nosso interior, deixemos Deus passar pelos nossos relacionamentos, principalmente, pelos relacionamentos conflitivos.

Volto a ressaltar o perdão como condição essencial para a paz, e que cada um registre no coração que, feliz é quem perdoa, porque perdoar é um ato de poder. Podemos, temos o poder de perdoar, temos o poder de nos reconciliar, e perdoando temos o poder de promover a paz. Isso é uma graça, isso não é para gente fraca, não! Só os fortes conseguem.

Fico triste em saber que existem pessoas que acordam de manhã e pensam: “meu Deus, que fardo esse dia”. Ninguém merece isso. Busquemos, para este novo ano estar num estado de espírito que, quando nossos olhos se abrirem pela manhã, possamos dizer: “que bom estar vivo. Que bom poder ter mais um dia de vida”. Isso é uma felicidade que Deus quer nos dar, mas somos nós que temos que conquistar.

Talvez, durante este ano passemos pelos “perrengues” da vida, mas teremos alegria, teremos a paz. Viveremos de bem com a vida, com Deus e com o próximo.

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